O DOURO VERDE E AS PAISAGENS MILENARES

 

 

Parece consensual a ideia de que o Vale do Douro é uma das regiões do país com mais potencial paisagístico e cultural, que deve ser preservado, valorizado e divulgado.

No entanto, quando alguém assim fala no “Douro”, está geralmente a referir-se ao Douro Vinhateiro ou, quando muito, ao Douro da Foz e da Cidade do Porto.

Acontece que no meio destas duas realidades fica toda uma sub-região com identidade muito própria que, além de valer por si mesma, complementa essa outra grande realidade que é o Douro.

Por razões facilmente compreensíveis que juntam as características da paisagem tão celebrada por diversos escritores a um vinho também único no mundo, a Cooperativa Dólmen, que gere o Programa de Desenvolvimento Rural desta região, decidiu dar-lhe o nome de “Douro Verde”.

Por outro lado, tornava-se importante, inventariar as marcas identitárias que, a partir dos seus denominadores comuns e das suas diversidades complementares, diferenciam o nosso território com o seu património histórico construído e ambiental, numa simbiose a que se deu o nome de “Paisagens Milenares”.

Para este efeito, foi precioso o contributo do arqueólogo Dr. Lino Tavares Dias.

Assim, verifica-se uma curiosa coincidência, como em poucos lugares do mundo acontece, da sobreposição da ocupação humana e dos seus vestígios históricos, relativamente datados no tempo, e as diversas altitudes da geografia do território, formando, assim, o que podemos chamar “unidades de paisagem”.

Desde logo, começamos pelos “Planaltos Dolménicos”, acima dos800 metrosque nos remetem para há cerca de 5 000 anos, com os seus monumentos megalíticos.

Temos, de seguida, uma segunda unidade que podemos chamar “Do romano ao românico”, aproximadamente entre os 300 e os400 metros. E podemos observar as vias romanas, a cidade de Tongóbriga, a organização da propriedade agrícola do território, a exploração de minas, as termas medicinais e os Caminhos de Santiago.

Com ligeiras oscilações de altimetria, entre os 200 e os300 metrosde altitude, podemos identificar uma terceira unidade, marcada pelos numerosos mosteiros que, durante a época medieval souberam tirar o melhor partido das regiões onde abundava a água para a prática da agricultura.

Finalmente, temos o que se pode designar por “do medieval aos nossos dias”, primeiro com a senhorização do território e as “Casas” e Quintas que daí resultaram e a marca mais evidente do período moderno que é a vinda do comboio, junto ao Douro e as novas vias rodoviárias.

A paisagem e o património cultural referidos nesta descrição, necessariamente muito sumária,  encerram uma riqueza que importa potenciar, começando pela consciência da mesma pelos habitantes locais e pela sua divulgação junto do exterior nacional e internacional.

É isso que a Cooperativa Dólmen começou já a fazer, num processo progressivo, que vai passar pela divulgação do conceito, por diversos modos: sinalética sugestiva e interpretativa, colóquios, material informativo e projectos integrados em rede, como é o caso do consórcio realizado no âmbito do Programa PROVERE, que reúne entidades publicas e privadas dos concelhos de Amarante, Baião, Celorico de Basto, Cinfães, Marco de Canaveses, Penafiel e  Resende .

Com esta perspectiva integrada, foi já possível aprovar um conjunto de projectos, no montante de 95 milhões de euros, numa estratégia de eficiência colectiva, denominada precisamente “Paisagens milenares no Douro Verde”.

Este painel, em mosaico romano, de tesselas em pedras policromáticas naturais, no Marco de Canaveses, é uma das primeiras marcas simbólicas no território, precisamente nas fronteiras entre algumas das unidades de paisagem acima referidas.

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